Quinta-feira, 18 de Novembro de 2004

SIMBOLOGIA RICOEURIANA II

“Chamo símbolo a toda a estrutura de significação na qual
um sentido directo, primário, literal, designa também um outro
sentido indirecto, secundário, figurado, que apenas
pode ser apreendido através do primeiro.”

PAUL RICOEUR



O artigo de Miguel Baptista Pereira , assenta no fio condutor de alguns dos principais momentos referentes à concepção de uma filosofia do símbolo e do mito, essencialmente dos mitos da criação no pensamento ricoeuriano. Tomando em linha de conta esta dupla interpretação, com Ernest Cassirer e num segundo momento com Paul Ricoeur, salienta-se o atributo a uma dimensão fundamentalmente de articulação (dialéctica) entre a Psicanálide de Freud e a Fenomenologia do Espírito de Hegel. Esta é a novidade trazida para o texto de Miguel Baptista Pereira.
Numa palavra, com Paul Ricouer, é de interpretar que, desde o relato bíblico, no princípio do mundo, o mal é antecipado à humanidade, pois a propósito da criação do primeiro homem e do relato do primeiro pecado, o mal é configurado como algo de originado no homem «Mediante a sedução». É o caso dos mitos da criação,como o chamado Mito Adâmico ou ainda os mesopotâmicos das terras de Uruk e do Deus Marduk, o Enuma Elish e o Gilgamesh, cuja simbologia do desejo e seu recalcamento numa linguagem aonde se advinham já as problemáticas das paixões nas vicissitudes do sentido. Neste sentido,é nesta primeira definição de hermenêutica, que se giza a “Símbólica do Mal”, onde se inculcam já os símbolos entendidos como expressões de duplo sentido, uma vez que é através da mediação desses símbolos e dos mitos, a compreensão de si mesmo,onde se configura uma larga dimensão da história e da cultura, isto é dizer, a interpretação dos símbolos da mancha, do pecado e do sentimento de culpabilidade, expressões indirectas da consciência do mal.
Assim o nosso filósofo constata que o mal é uma realidade antropológica, concluíndo que, desde as origens até hoje, o homem se «confessou» nesses símbolos primários como responsável e culpável pela existência do mal, ipso facto, a possibilidade do mal com base na reflexão do “Homem falível”.




Sob o ponto de vista psicológico, com efeito, faz suas as palavras de Freud, para quem a culpa é, em última instância, o triunfo das pulsões de morte. Referindo-se à culpabilidade , diz-nos o nosso filósofo,«o que reina agora no super-ego, é, dir-se-á, uma cultura pura da pulsão da morte». Se observarmos atentamente sobre a natureza do mito, Ricoeur, ensina-nos o seguinte;« Entenderemos aqui por mito o que a história das religiões nele hoje discerne: não uma falsa explicação, através de imagens e de fábulas, mas uma narrativa tradicional, relativa a eventos acontecidos na origem dos tempos, e destinado a fundar a acção ritual dos homens de hoje e de um modo geral a instituir todas as formas de acção e de pensamento pelas quais o homem se compreende a si mesmo no seu mundo.».De facto, com Paul Ricoeur o pensamento filosófico é a experiência do fenómeno humano no seu sentido histórico. Depois de Auschwitz, torna-se evidente para o nosso filósofo todo um retrocesso e desumanização da nossa civilização na ideia de perfeição e passa, pelo contrário a ser o abismo que separa a crueldade de que aquela é capaz. Sofrimento, dor, culpabilidade, mal físico, mal moral, mal individual ou mal colectivo, tais são, então os termos com que se tem procurado dizer e pensar, desde o Holocausto nazi. M B P ,o autor deste texto, enfatiza no artigo que o símbolo torna-se o princípio da reflexão sobre o começo, a queda e o fim do homem, uma anterioridade, arké ou arqueologia e um telos ou teleologia que marca e traça a marcha da memória e da esperança, i.e., um princípio e um fim.
No horizonte arqueo-teleológico da existência, o homem só se conhece realmente mediado pelas re-presentações, acções, instituições, movimentos, em que o seu percurso histórico, se objectivou e ele se encontra. P.Ricoeur no sentido espinosista do conceito a que chamou ética, procura no desejo do ser e do esforço por existir, todo um processo total e radical em que o homem sai da escravatura e entra na felicidade e na liberdade.
Esforço este, mormente chamado «conatus» espisonista e do eros platónico e freudiano.
Por esse conatus (esforço) entende o nosso autor como, a saber; « A força afirmativa de existir tal qual se exprime na afirmação fundamental, “eu sou”(je suis).»
Ricoeur convence-se que uma meditação e reflexão profunda sobre a psicanálise e a força da “líbido”, a sexualidade freudiana e seus símbolos pode ter o mesmo efeito salutar que a compreensão do “conatus” dos sonhos mais arcaicos do desejo humano.
Tal como a ética de Espinosa, pretende a psicanálise ser uma reeducação do desejo, que ela propõe como condição prévia para toda a reforma do homem intelectual, política ou social.

publicado por jmdslb às 03:51
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 17 de Novembro de 2004

...

ACERCA DE UMA FILOSOFIA DO SÍMBOLO
EM PAUL RICOEUR
ATRAVÉS DO ESTUDO DE UM TEXTO DE
MIGUEL BAPTISTA PEREIRA

In Revista Filosófica de Coimbra – nº 25[2004]

adamo-ed-eva_800.jpg



INTRODUÇÃO



Em primeiro lugar urge apresentar o filósofo , Paul Ricoeur na sua acção ou no seu importante papel na nossa contemporaneidade cultural,intelectual e filosófica. Profundamente inculcado pela fenomenologia husserliana e preocupado pelo fenómeno humano,o nosso filósofo, segundo as suas palavras reclama-se,a saber;«De uma das correntes da filosofia europeia que se deixa caracterizar por uma certa diversidade de epítetos: filosofia reflexiva, filosofia fenomenológica, filosofia hermenêutica. Quanto ao primeiro vocábulo – reflexividade – salienta-se o movimento pelo qual o espírito humano tenta recobrar o poder de agir, de pensar, de sentir, poder este de algum modo escondido, perdido, nos saberes, nas práticas, nos sentimentos que o exteriorizam em relação a si mesmo.
Jean Nabert é o mestre emblemático deste primeiro ramo da corrente comum.
O segundo vocábulo – fenomenológico - designa a ambição de chegar “às próprias coisas”, isto é, à manifestação do que se revela à experiência mais despojada de todas as construções herdadas da história cultural, filosófica, teológica; esta preocupação ao contrário do que acontece com a corrente reflexiva, leva-nos a salientar a dimensão intencional da vida teórica, prática, estética, etc., e a definir toda a consciência como “consciência de ...”.Husserl continua a ser o herói epónimo desta corrente de pensamento.
Quanto ao terceiro vocábulo – hermenêutica - herdado do método interpretativo inicialmente aplicado aos textos religiosos (exegese), aos textos literários clássicos (filologia) e aos textos jurídicos (jurisprudência), acentua o pluralismo das interpretações relacionadas com o que se pode chamar a leitura da experiência humana. Nesta terceira forma, a filosofia põe em causa a pretensão de qualquer outra filosofia ser despida de pressuposições. Os mestres desta terceira tendência chamam-se Dilthey, Heidegger e Gadamer.»(1)

ALGUMA BIBLIOGRAFIA


DE L'INTERPRÉTATION. ESSAI SUR FREUD (Paris Seuil, 1965)
DU TEXTE À L'ACTION. ESSAIS D'HERMÉNEUTIQUE,II (Paris,Seuil,1986)
LE CONFLIT DES INTERPRÉTATIONS. ESSAIS D'HERMÉNEUTIQUE, I (Paris,Seuil,1969)
LE MAL. UN DÉFI À LA PHILOSOPHIE ET À LA THÉOLOGIE (Genève,Labor et Fides,1986)
PHILOSOPHIE DE LA VOLONTÉ,II. FINITUDE ET CULPABILITÉ,I. L´HOMME FAILIBLE(Paris,Aubier,1960)
PHILOSOPHIE DE LA VOLONTÉ,II. FINITUDE ET CULPABILITÉ,II. LA SYMBOLIQUE DU MAL (Paris,Aubier,1960)
TEORIA DA INTERPRETAÇÃO (Trad. Portuguesa, Lisboa ed 70,1987)



(1)Ricoeur,P.,Changeux,JP.,in “O QUE NOS FAZ PENSAR?”,edições 70, Lda., Lisboa, 2001, pp.10,11.













publicado por jmdslb às 03:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 16 de Novembro de 2004

CÃES DE GUERRA - PURA ÉTICA UTILITARISTA AMERICANA-OS VALORES

B9D8DAE4EC3C4F8D8DC979A7B0835D4F.jpg

O ASSASSINATO EM DIRECTO DE UM RESISTENTE FERIDO E DESARMADO


Decanso.jpg

FINALMENTE O DESCANSO DEPOIS DA MATANÇA



AGORA SE PERCEBE PORQUE É QUE OS NORTE-AMERICANOS NÃO

ASSINARAM O PACTO DO T P I. PARA QUE NÃO SEJAM JULGADOS

POR ESTE TRIBUNAL INTERNACIONAL PARA CRIMES DE GUERRA E

VIOLAÇÕES/TORTURAS. O QUE ACONTECEU EM FALLUJA JÁ ERA

INFELIZMENTE PREVIZÍVEL. TAL COMO NO VIETNAM NUNCA APRENDEM

A LIÇÃO. VIOLAÇÕES DA CONVENÇÃO DE GENEBRA POR MATAREM

OU FERIREM PRISIONEIROS DE GUERRA,NÃO BASTAVA JÁ GUANTÁNAMO

AGORA ESTE TRISTE EPISÓDIO, JUNTAMENTE COM A PROIBIÇÃO DA

ENTRADA NA CIDADE DA CRUZ VERMELHA. A MATANÇA AINDA NÃO

ACABOU DIZ O GENERAL...CORAGEM




publicado por jmdslb às 23:56
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Segunda-feira, 15 de Novembro de 2004

MAKE LOVE NOT WAR - P E A C E

5715.jpg




paz-5.jpg



QUAL É A DIFERENÇA ?


Ranger.jpg


1.jpg



QUAL SERÁ A DIFERENÇA?

QUEM É O BEM E QUEM É O MAL ?







publicado por jmdslb às 00:34
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Domingo, 14 de Novembro de 2004

BUSH ABENÇOA A AMÉRICA

PIESTEWA__NY112_1YBFD.jpg
TARANGO-GRIESS__AH101_2JACS.jpg


RUBALCAVA__TXELP102_2GV6Y.jpg
MELSSA_VALLES_DN101_2BMEP.jpg


KARINA_LAU_CAMOD101_26QUI.jpg

HINES__CASAB105_2B2YH.jpg
FRYE__WIMIL101_2BM5J.jpg


BOSVELD__MAG101_2BM3X.jpg

AVERY-FELDER__NXJ106_2EO13.jpgALYSSA_PETERSON_AZFLA102_24U42.jpg
TAMARRA_RAMOS_PX301_2BQDN.jpgMICHELLE_WITMER_WIMIL101_2ENWX.jpg

CLINE__NVREN103_1YBG1.jpg
GELINEAU__MEPOP101_2F9WP.jpg
HOLMES__NHDOV101_2E39Y.jpgJAMES__KSLIB101_2B2YT.jpg

PETER_ENOS_BX108_2ENY0.jpgLANGHORST__MNDUH101_2EO09.jpg

JACOB_MARTIR_CTNOR101_2JA7S.jpgSHAVER__WATAC202_2GV5O.jpg



PODIA ESTAR AQUI TODA A NOITE A POSTAR IMAGENS DE TODOS

AQUELES E AQUELAS QUE FORAM ENVIADOS PARA O OUTRO MUNDO

POR BUSH E COMPANHIA. CENTENAS DE JOVENS AMERICANOS

SACRIFICARAM AS SUAS VIDAS NO IRAQUE EM PROL DOS

INTER-ESSES E ACÇÃO VOLUNTÁRIA DO SEU PRESIDENTE.

É PENA...PAZ ÀS SUAS ALMAS E MAIS UMA VEZ GOD BLESS

AMÉRICA A TERRA PROMETIDA! . . .
























publicado por jmdslb às 23:58
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

A VIRTUOSA GUERRA AMERICANA - A BATALHA DE FALLUJA

_40500051_prayer-ap-300x220.jpg

ESPERA-SE A ORDEM DO ATAQUE,OUVINDO-SE A ESPERADA MISSA


_40501283_faluyabodya.jpg

DENTRO DA CIDADE REZA-SE A ALÁ,PARA QUE NÃO HAJA ATAQUE



6ca2c66c97960d.jpg

HOUVE MESMO ATAQUE,COMEÇOU A BATALHA DE UMA CIDADE DESTRUÍDA A PRIORI


_40522027_mosul_afp203body.jpg

MAS TAMBÉM HOUVE RESISTÊNCIA, FEROZ E MORTAL DIGA-SE "TOUT COURT"


_40500029_toddler-ap-300x220.jpg

COMO JÁ TINHA DITO,OS BOMBARDEAMENTOS CEGOS E DESUMANOS
PROVOCARAM CENTENAS DE VÍTIMAS INOCENTES.CRIANÇAS E MULHERES.
EIS O ESPÍRITO E OS VALORES DESTA AMÉRICA CONSERVADORA,PIETÍSTA E
AO MESMO TEMPO PECAMINOSA E VIRTUOSA.
A AMÉRICA JÁ TEM UM PLANO PARA A RECONSTRUÇÃO DA CIDADE.
E QUEM RECONSTROI AS VIDAS INOCENTES QUE FORAM CEIFADAS ?
AFINAL DEIXARAM FUGIR O CHEFE...DOS RESISTENTES...
OUTRAS BATALHAS, DORAVANTE MAIS FEROZES VIRÃO E DEUS ABENÇOE
A AMÉRICA, OS OUTROS SÃO PÁRIAS.
QUANTO AOS JOVENS NORTE-AMERICANOS CAÍDOS EM COMBATE NA
MELHOR DA SUA JUVENTUDE NA PROVÍNCIA DE AL ANBAR NO CENTRO
DO IRAQUE E BASTIÃO SUNITA(FALLUJA),JÁ SE CONTAM UMAS BOAS
CENTENAS.É PENA...AS SUAS FAMÍLIAS DEVEM FICAR AGRADECIDAS
AO GANG MENTIROSO E MAFIOSO DO SR.BUSH,CHENEY,RUMSFELD E
COMPANHIA,QUE INDUZIRAM A AMÉRICA PARA UMA GUERRA COBARDE
E DE INTER-ESSE PRÓPRIO, LUDIBRIANDO AS NAÇÕES UNIDAS E TODO
O MUNDO. ULTRAPASSARAM TUDO E TODOS. TODO O SISTEMA ÉTICO
OCIDENTAL,AQUI REPRESENTADO PELOS EUA,RUÍU COMO UM EDÍFICIO.
QUEM O RIDIME ?








publicado por jmdslb às 04:04
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 12 de Novembro de 2004

ABUSOS SEXUAIS E TORTURAS - OS VALORES MORAIS DA AMÉRICA

abuse-1.jpg



abuso3.jpg



abuso4.jpg



tortura3.jpg


turturas7.jpg


iraqis_tortured_60min2-h.jpg


O MAIOR E MELHOR EXEMPLO DOS VALORES MORAIS E RELIGIOSOS

DA AMÉRICA DO "BORN AGAIN" bushiano. VIOLAÇÕES DE MULHERES E HOMENS,

TORTURAS E ASSASSINATOS POLÍTICOS. BOMBARDEAMENTOS MACIÇOS COMO

ESTÁ NESTE PRECISO MOMENTO A ACONTECER EM FALLUJA,FAZENDO SURDOS

O MARTELO DA CRUZ VERMELHA A PARAREM OS ATAQUES, UMA VEZ QUE AS RUAS

SEGUNDO O CORRESPONDENTE DA BBC MUNDIAL, FADHIL BADRANI, ESTÁ CHEIA

DE CADÁVERES DE MULHERES E CRIANÇAS A COMEÇAREM APODRECER . . .

É ESTE O DEUS DA AMÉRICA OU A DA SEITA DE BUSH E RUMSFELD ?

GOD SAVE THE KING E GOD BLESS AMERICA
AND THE WORLD








publicado por jmdslb às 18:49
link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito
Quinta-feira, 11 de Novembro de 2004

MORREU O FEDAYÍN - STOP THE MACHINES -

top.arafat.ap



arafat10.jpg


JÁ NÃO RESTAM MUITAS DÚVIDAS, MORREU O FEDAYÍN YASSER ARAFAT.

É SÓ UMA QUESTÃO DE BUROCRACIA, E NEGOCIAREM COM OS SIONISTAS

O LUGAR ONDE SERÁ SEPULTADO. COMO TODA A LUTA PELO SEU POVO,

ESTA SERÁ A SUA DERRADEIRA LUTA, NEGOCIAR COM O OCUPANTE ONDE

REPOUSARÁ PARA SEMPRE. PARADIGMA DE TODOS OS PARADOXOS OS

JUDEUS RECUSAM UNILATERALMENTE A SUA SEPULTURA EM JERUSALÉM.

ARGUMENTA O CRIMINOSO DE GUERRA SHARON, QUE AÍ, SÓ SE PODEM

SEPULTAR OS REIS JUDEUS. PURO FARISISMO,OS TAIS QUE CONDENARAM

CRISTO À CRUXIFICAÇÃO . . . E ASSIM NASCEU UM MITO CUJO ÍCONE AINDA

HOJE PERDURA PARA TODO O SEMPRE. NUNCA APRENDEM COM OS SEUS ERROS.

MAIS COMENTÁRIOS PARA QUÊ ?


publicado por jmdslb às 04:45
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quarta-feira, 10 de Novembro de 2004

COMEÇOU A OPERAÇÃO FÚRIA FANTASMA - "FINAL DO SUPER-BOWL" Á AMERICANA

falluja_2_091104.jpg



top.falluja.marines.ap

top.iraq.bow.sat.ap



MAIS UMA VEZ O PSICOPATA E FUNDAMENTALISTA DO "BORN AGAIN"
G.W.BUSH DEU ORDEM PARA MAIS UM MASSACRE DE INOCENTES.
A CIDADE DE FALLUJA BOMBARDEADA DESDE O VERÃO, CONTA JÁ COM
NUMEROSAS VÍTIMAS ENTRE CRIANÇAS E MULHERES. ONTEM FOI DADA
ORDEM PARA O ATAQUE FINAL,ENVIANDO PARA UMA MORTE CERTA
JOVENS DE AMBOS OS SEXOS AINDA QUASE ADOLSCENTES. PARA BUSH
HABITUADO A ASSINAR DOCUMENTOS DE PENA DE MORTE QUANDO ERA
GOVERNADOR DO TEXAS,SABERÁ MELHOR DO QUE NINGUÉM COMO SE
ASSASSINA,PARA ESTE SENHOR É COMO SE TRATASSE DE UMA FINAL DO
SUPER BOWL. ASSIM SE DEMOCRATIZA O IRAQUE, À LEI DA BOMBA, NÃO
EVITANDO O ERRO PRIMÁRIO,QUE SÓ ARRANJA MÁRTIRES COM SEDE DE
VINGANÇA. O QUE ELE PRÓPRIO DESEJA A "GUERRA INFINITA". CERCA de 15 000
AMERICANOS e 2 000 SOLDADOS IRAQUIANOS FEITOS À PRESSA APOIADOS
POR TANQUES,AVIÕES E HELICÓPTEROS,CONTRA UMA CIDADE INDEFESA
JÁ COMPLETAMENTE ARRASADA,COM 3000 TERRORISTAS SEGUNDO A SUA
VERSÃO,PREPARADOS PARA DEFENDEREM A CIDADE MARTIRIZADA,QUE NO
ENTANTO SITUADA NA PROVÍNCIA DE AL ANBAR JÁ SE TORNOU UM CEMITÉRIO
PARA CENTENAS DE JOVENS NORTE-AMERICANOS. A FÉ DE BUSH.
GOD BLESS BUSH AND YOUR THINK TANK






publicado por jmdslb às 02:24
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Terça-feira, 9 de Novembro de 2004

ESPANTO DE QUÊ ?

medusecaravage.jpg


Amigos:

Tenho de escrever-vos esta mensagem enquanto estou com raiva e vontade de sair pelas ruas de Nova Iorque, a cortar cabeças, montado num cavalo branco.

Como era do conhecimento de algum de vós, esta manhã eu deveria passar por Lisboa, em escala, rumo a Luanda onde participaria num encontro de quadros na diáspora. O meu plano era manter-me apenas algumas horas em Lisboa, mas, posteriormente, sair de Luanda a 11, de modo a que pudesse ficar três dias em Lisboa (e um na Vidigueira para visitar uma professora de italiano), uma vez que a minha passagem para Nova Iorque estava marcada para 14 de Novembro.

(E estava com muita vontade de sair de Nova Iorque, pois as eleições deixaram muita gente consternada, o que tem marcado negativamente o ambiente, sobretudo da minha universidade).

Na tarde de ontem procurei por todos os meios – junto à minha embaixada em Washington, junto ao consulado português em Nova Iorque e junto a Agência da TAP em Lisboa – saber se poderia viajar para Lisboa sem visto, uma vez que deveria apanhar o voo ainda nesse mesmo dia. Foi-me dito que sim, que não precisava de qualquer visto para escalar Lisboa. Mas ainda assim, se quisesse entrar em território português poderia fazê-lo, uma vez que a minha residência caducara em Julho, o que supostamente me daria o direito a uma espécie de ano de graça, desde que os Serviços de Estrangeiros Fronteiras tivessem registado o pedido de renovação que eu tinha feito.

E de facto, esta manhã, às seis da manhã, cheguei ao Aeroporto de Lisboa. Primeiro fui ter com as funcionárias da TAP e foi-me dito que não tinham conhecimento de nenhuma ligação para Luanda; em seguida, tentei passar a fronteira, mostrando a fotocópia da minha autorização de residência. Foi-me dito que não servia; tinha de mostrar o talão. Disse que o tal papel não estava comigo, mas sim com uma amiga e advogada, a Awa Baldé. Disseram-me que não havia problema, desde que conseguisse diligenciar que a minha amiga trouxesse o papel... perguntei se podia usar o telefone ao que me foi dado um rotundo ‘não’.

O que interessava ao funcionário era saber se eu tinha renovado a autorização. E uma rápida pesquisa no computador mostrou que sim. Portanto, parece-me que o talão neste caso se tinha tornado desnecessário, uma vez que ele já tinha tomado conhecimento com a verdade que o papel deveria expressar: o facto de ter renovado o documento.

Então, voltei ao Balcão da TAP, onde comecei uma longa conferência com uma funcionária de nome Vera. Ela disse-me que de facto conhecia o procedimento pois no dia anterior tinha chegado uma senhora dos Estados Unidos, chamada Amélia Cruz, e tinha sido encaminhada para Luanda. Tentei saber mais dados sobre que companhia que tinha a senhora utilizado: a Vera não sabia. Mas acrescentou que o meu nome estava na lista para seguir para Luanda ontem, 4, que se tivesse vindo ontem certamente teria partido. Tentei fazer-lhe ver, pela lógica, que não era possível chegar a Lisboa a 5 e partir para Luanda a 4 – porque o tempo é assim mesmo, não volta atrás. Mas acho que não me compreendeu (e falávamos em português: eu que pensei que fosse ficar aliviado quando pela primeira vez depois de três meses tivesse um burocrata a falar a mesma língua que eu).

Depois da conversa falhada, perguntei-lhe se podia telefonar; ela deu-me um cartão, tirado de um molho onde havia vários, o que me levou a presumir que fossem precisamente para este efeito, em casos como o meu. Telefonei para a Awa, que atendeu prontamente embora não fossem ainda 8 da manhã. A Awa disse que me trazia o documento, era só o tempo para sair de casa e passar pelo escritório.

Às 8:30, os guichets da TAP ficaram vazios. E fiquei horas à espera. Perto do meio dia chegaram as duas senhoras e eu muito calmamente lhes disse que ficaria muito agradecido se me pudessem arranjar um lugar no mesmo avião para regressar às 13:00 (hora de Lisboa) a Nova Iorque. Neste momento, D. Vera teve a luminosa ideia de me dar um papel com os números de telefone do meu consulado e dos serviços da TAAG (Transportadora Angolana) em Lisboa. Eu disse-lhe que era muito tarde, e que estava muito decepcionado pela forma como tinha sido tratado. Disse-lhe que achava estranho que me fosse permitido embarcar para Lisboa sem visto (os funcionários das Companhias Aéreas são muito sensíveis a estas questões) e por isso tinha julgado que houvesse algum plano para resolver o meu caso. E de facto havia: era apenas dizer por que companhia tinha a D. Amélia Cruz viajado no dia anterior.

[Tinha pensado e decidira voltar para os Estados Unidos; porque, primeiro, a se confirmar que não houvesse voo para Luanda na sexta teria de dormir no aeroporto; segundo, ainda que me fosse permitida a entrada em Lisboa, não sei se estaria disposto a passar por tudo o que passei por ter a residência caducada no momento em que vim para Nova Iorque.]

A D. Vera, como prova da sua boa vontade, disse-me que me tinha dado um cartão, procedimento que não se costuma fazer.

Foi-me dado o OK. E assim voltei a Nova Iorque num voo de sete horas em que por sinal de protesto não comi, não bebi, não li e não fui uma única vez à casa de banho. Ah, e para acabar a história: quando cá cheguei encontrei uma mensagem da Awa, em que dizia que esteve no Aeroporto com o meu talão e foi-lhe dito que não tinha sido retido ninguém com o meu nome. O pior é que os do SEF tinham razão: eu não estava retido; só não podia passar ou telefonar.

Este é o resumo do meu dia (terá alguma coisa a ver com o facto de ter vindo a ler ‘The Inferno’, edição bilingue italiano-inglês, de Dante?). Tomem cuidado quanto lerem o tal livro num voo da TAP.

Fica uma pessoa fechada na Universidade a estudar o poder, e a começar a perceber que o poder não emana de um centro, e que o poder não coage, mas que o poder está disseminado, e que as pessoas a ele obedecem voluntariamente. E numa viagem de estudo a Lisboa, numa verdadeira aula prática de Antropologia, vê de facto essa disseminação do poder, que autoriza um funcionário, em nome de uma ficção que se chama fronteira, ter o poder a mantê-la sentada, ou deitada, num banco de ferro, a olhar para o relógio, sem poder ir à casa de banho, por causa da mala, sem poder telefonar. O mesmo para uma funcionária, a quem já é difícil explicar a ordem da sucessão dos dias, poder olhá-la e não ver mais do que medo e desespero e fome talvez e cansaço certamente. E ser humilhada por um polícia da fronteira que deixa toda a gente passar, menos a si, a quem pede que abra a mala, e lhe mostre as suas coisas, e lhe pede para ligar o computador, e exponha o conteúdo do seu estojo de toilette aos olhos de todo o mundo, e folheie os seus livros, em busca de quê? E só hoje, num lampejo de clarividência, que me deu vontade de desatar a correr de alegria pelo aeroporto, percebi porque razão Walter Benjamim se tinha suicidado da forma que nós conhecemos, ao não lhe ser permitido que passasse uma fronteira (penso que em Espanha). O suicídio acabou por ser o único meio pelo qual nenhum guarda fronteiriço poderia exercer poder sobre o seu corpo.

António Tomás

[Depois de lhe pedir para publicar este relato, o António Tomás acrescentou o seguinte:]

Tu não imaginas como eu me sinto. Não me apetece falar com ninguém. Passo todo o tempo a remoer esta história e a pensar nas coisas que não escrevi, como o espanto da mulher por verificar que o meu passaporte era verdadeiro e que o visto não tinha sido falsificado. Acho que por isso não me ajudaram. Só assim percebo tanta indiferença.

Tens carta branca para publicar. A mim também interessa que esta história seja conhecida. Isto é o drama dos milhares de Benjamins que todos os dias tentam cruzar esta coisa estúpida que são as fronteiras, produtoras de tantas arbitrariedades e bizarrias.

Ao não entrar em Lisboa perdi sim muita coisa. Esta semana foi dura (as coisas na Universidade, a política americana) e queria muito estar com os meus amigos - sabes, esta coisa idiota que não reconhece fronteiras. E me foi negado esse direito, em nome de uma merda que é a inviolabilidade do espaço português.











publicado por jmdslb às 02:25
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Vita Nuova

. ...

. Saudade ll

. ANGEL

. SIRENIA

. OT3P

. STEVE VAI

. The Raconteurs

. Dimebag Darrel

. Zakk Wilde's tribute to D...

.arquivos

. Outubro 2011

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

.links

.Player Guitar

.subscrever feeds