Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2004

EU / MEMÓRIA I

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Lembro-me quando em criança a curiosidade mais espicaçava e depois
já na adolescência em que se começa a olhar o mundo com outras lentes,
essa mesma curiosidade implacável através do tempo e da nossa história
pessoal se começaram a levantar determinadas questões.
Quando entrei para a faculdade e optei pela filosofa umas das primeiras
coisa que meditei,foi por exemplo a questão vivencial e o contacto primeiro
com aquelas paredes,salas,corredores,gabinetes que encerravam tanto saber,e
e pensei como seria o ensino nos primórdios desta velha Universidade tão
secular e como seriam os alunos daquele tempo.Como seria o ensino?
O que é que um aluno do século XII ou XIII ía fazer à Universidade
isso ficou-me a pairar como um dualismo entre o aprender ou ensinar!
Sempre me fascinou a linguagem das palavras,a voz das palavras,a sua locução
não nos poderemos esquecer a grande ausência de livros naquele tempo,as aulas
naturalmente seriam verbais,orais, era a valorização do som vocal,
a voz.Deparei-me também com a interrogação metafísica,quem sou eu? O que é
o homem? Um verdadeiro enigma que de certeza já todos nos perguntámos a nós
próprios,uma verdadeira interiorização sobre a mesmidade,o eu. Uma viagem
fulgurante, intrínseca ao nosso amâgo,à alma, ao nosso espírito infinitamente
finito,o nosso absoluto interior.E aí apareceu inevitavelmente a memória,o que
seria do homem sem memória? Ela aí estava imperceptível e incorruptivel na
nossa vivência.Mas será apenas um filme em secções,como um "slide" ou uma
superprodução de hiperligações com todas as paixões da alma,como a alegria ou
as tristezas,afinal todas as nossas sensibilidades e sentimentos? Talvez que
sem esta viagem interior, sem toda essa superprodução na selecção das nossas
memórias,o eu seria como um cego que no seu saber intuitivo sentiria a cegueira
como uma forma de espírito imortal e fazer parte de um além ou um aquém.É que os
nossos olhoa vêem, por vezes à superfície e assim o eu conseguiria ultrapassá-la
não no pressuposto ou na emergência do eu tornar-se prisioneiro de si mesmo,mas
sim realizando uma experiência espiritual que encontre a via de todos os mundos.
Surge incomensuravelmente o tempo,conceito que define o nosso palácio de memória
o que no abstracto e na esfera filosófica ter que ser abordado como um verdadeiro
enigma difícil de solucionar,não como aporia,mas como uma tentativa de esperança
de se poder reflectir e discorrer especulativamente sobre ele.Disse discorrer,mas
como é difícil discorrer sobre o significado deste conceito chamado tempo - e como
se mede o tempo? Lembro-me que para certos povos o tempo(o dia e a noite)media-se
de maneira diferente. Para Santo Agostinho por exemplo, só existia o presente e
não o passado (pretérito) e o futuro,mas será que haverá só presente?
O presente é só momentâneo, estamos invariavelmente caídos no abismo dos intervalos
de tempo.Numa linguagem mais espiritual ou poética há uma coisa que a memória não
poderá fugir, é da história, tal como na filosofia existe uma história da filosofia e
uma filosofia da história.



publicado por jmdslb às 04:47
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2 comentários:
De Anónimo a 3 de Dezembro de 2004 às 22:12
Em final de semana, que bem me soube ler este teu texto!
Abraço, grande.nadaespecial
(http://amoergosum.blogs.sapo.pt)
(mailto:amoergosum@sapo.pt)


De Anónimo a 3 de Dezembro de 2004 às 13:04
Digo-te só, João, que vou acompanhar atentamente estas tuas incursões pela Memória (de ti). Este texto fascinou-me e não pôde deixar de me levantar, ao mesmo tempo que o lia, uma série de problemas. Senti-o imensamente num activar tb mais aguçado da Memória (a minha).
Vou aguardar pelo que ai vem e, então sim, começaremos a conversar.

Um grande beijinho, caro Filósofo :)Sandra
(http://www.void.weblog.com.pt)
(mailto:almeida649@hotmail.com)


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