Quinta-feira, 18 de Novembro de 2004

SIMBOLOGIA RICOEURIANA II

“Chamo símbolo a toda a estrutura de significação na qual
um sentido directo, primário, literal, designa também um outro
sentido indirecto, secundário, figurado, que apenas
pode ser apreendido através do primeiro.”

PAUL RICOEUR



O artigo de Miguel Baptista Pereira , assenta no fio condutor de alguns dos principais momentos referentes à concepção de uma filosofia do símbolo e do mito, essencialmente dos mitos da criação no pensamento ricoeuriano. Tomando em linha de conta esta dupla interpretação, com Ernest Cassirer e num segundo momento com Paul Ricoeur, salienta-se o atributo a uma dimensão fundamentalmente de articulação (dialéctica) entre a Psicanálide de Freud e a Fenomenologia do Espírito de Hegel. Esta é a novidade trazida para o texto de Miguel Baptista Pereira.
Numa palavra, com Paul Ricouer, é de interpretar que, desde o relato bíblico, no princípio do mundo, o mal é antecipado à humanidade, pois a propósito da criação do primeiro homem e do relato do primeiro pecado, o mal é configurado como algo de originado no homem «Mediante a sedução». É o caso dos mitos da criação,como o chamado Mito Adâmico ou ainda os mesopotâmicos das terras de Uruk e do Deus Marduk, o Enuma Elish e o Gilgamesh, cuja simbologia do desejo e seu recalcamento numa linguagem aonde se advinham já as problemáticas das paixões nas vicissitudes do sentido. Neste sentido,é nesta primeira definição de hermenêutica, que se giza a “Símbólica do Mal”, onde se inculcam já os símbolos entendidos como expressões de duplo sentido, uma vez que é através da mediação desses símbolos e dos mitos, a compreensão de si mesmo,onde se configura uma larga dimensão da história e da cultura, isto é dizer, a interpretação dos símbolos da mancha, do pecado e do sentimento de culpabilidade, expressões indirectas da consciência do mal.
Assim o nosso filósofo constata que o mal é uma realidade antropológica, concluíndo que, desde as origens até hoje, o homem se «confessou» nesses símbolos primários como responsável e culpável pela existência do mal, ipso facto, a possibilidade do mal com base na reflexão do “Homem falível”.




Sob o ponto de vista psicológico, com efeito, faz suas as palavras de Freud, para quem a culpa é, em última instância, o triunfo das pulsões de morte. Referindo-se à culpabilidade , diz-nos o nosso filósofo,«o que reina agora no super-ego, é, dir-se-á, uma cultura pura da pulsão da morte». Se observarmos atentamente sobre a natureza do mito, Ricoeur, ensina-nos o seguinte;« Entenderemos aqui por mito o que a história das religiões nele hoje discerne: não uma falsa explicação, através de imagens e de fábulas, mas uma narrativa tradicional, relativa a eventos acontecidos na origem dos tempos, e destinado a fundar a acção ritual dos homens de hoje e de um modo geral a instituir todas as formas de acção e de pensamento pelas quais o homem se compreende a si mesmo no seu mundo.».De facto, com Paul Ricoeur o pensamento filosófico é a experiência do fenómeno humano no seu sentido histórico. Depois de Auschwitz, torna-se evidente para o nosso filósofo todo um retrocesso e desumanização da nossa civilização na ideia de perfeição e passa, pelo contrário a ser o abismo que separa a crueldade de que aquela é capaz. Sofrimento, dor, culpabilidade, mal físico, mal moral, mal individual ou mal colectivo, tais são, então os termos com que se tem procurado dizer e pensar, desde o Holocausto nazi. M B P ,o autor deste texto, enfatiza no artigo que o símbolo torna-se o princípio da reflexão sobre o começo, a queda e o fim do homem, uma anterioridade, arké ou arqueologia e um telos ou teleologia que marca e traça a marcha da memória e da esperança, i.e., um princípio e um fim.
No horizonte arqueo-teleológico da existência, o homem só se conhece realmente mediado pelas re-presentações, acções, instituições, movimentos, em que o seu percurso histórico, se objectivou e ele se encontra. P.Ricoeur no sentido espinosista do conceito a que chamou ética, procura no desejo do ser e do esforço por existir, todo um processo total e radical em que o homem sai da escravatura e entra na felicidade e na liberdade.
Esforço este, mormente chamado «conatus» espisonista e do eros platónico e freudiano.
Por esse conatus (esforço) entende o nosso autor como, a saber; « A força afirmativa de existir tal qual se exprime na afirmação fundamental, “eu sou”(je suis).»
Ricoeur convence-se que uma meditação e reflexão profunda sobre a psicanálise e a força da “líbido”, a sexualidade freudiana e seus símbolos pode ter o mesmo efeito salutar que a compreensão do “conatus” dos sonhos mais arcaicos do desejo humano.
Tal como a ética de Espinosa, pretende a psicanálise ser uma reeducação do desejo, que ela propõe como condição prévia para toda a reforma do homem intelectual, política ou social.

publicado por jmdslb às 03:51
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