Quinta-feira, 14 de Outubro de 2004

DERRIDA REGRESSA A SI

lagrimasss.gif


Confesso que senti a morte de Derrida com muita intensidade. A Voz e o Fenómeno
foram-se. Foi como se fosse atingido em vários pontos. Derrida sempre um Véu...à
vela, na justa medida da sua desconstrução,como ele dizia «só possível como impossível»,
Derrida ensinou-nos a pensar,a interpelar,a participar e a responder ao outro tal como E.
Levinas. A palavra aqui é luto,encriptada na crípta mais alta do mundo,fantasmática no fio do seu único nó.Há texto e texto, existe texto a perder de vista,tudo é texto, o véu das palavras está no lugar e do dito em vez da vela,o referente é aquilo que o vela,no mesmo
sentido que o vígia,está de sentinela,alerta,vigilante,acordado. Pensa obviamente no limite
do limite da filosofia,isto é dizer, num limite/passagem,num movimento de devir da marca,da marcha e da sua margem,cujo sentido é apropriação,políssemia e disseminação.
Ao mesmo tempo que constroi,o destroi.Destruir é um pensamento de in-venção,de criar
e re-criar,é uma força vital, um impulso criativo.Com Derrida a filosofia auto-nomeia-se e
auto-designa-se.Há um duplo posicionamento diante deste limite, o pensar é ditado sob o
mesmo veredicto,se este é ditado é o passado (véspera) da filosofia e a filosofia só tem
futuro no porvir alimentado pelo seu passado mais abissal,por este limite que nunca se
deixa apropriar.Esta dupla configuração timpaniza a filosofia,é o ouvir,(o ouvido) um tom
mesmo pequeno que seja, mas atento ao timbre de uma voz,ao idioma de uma voz. Assim
a desconstrução derridiana não é um discurso negativo,do negativo nihilizante, é antes
afirmativo e singular:singularmente afirmativo,como por exemplo a imagem do post, o véu
das lágrimas não nega o olho - re-vela-o,revela-o a velar pela sua visão. É saber ver.
Saber ver como Hélène Cixous, tinha olhos e era cega.No entanto como dizia Derrida da
Hélène,a miopia era a sua falta,a sua trela,o seu imperceptível véu natal.Coisa estranha,ela via que não via,mas via bem. Em cada dia havia recusa,mas quem poderia
dizer de onde vinha a recusa: e quem se recusava,o mundo ou ela?
Como dizia hoje no Público Eduardo Prado Coelho,«Jacques Derrida não era um autor
fácil,nunca se reduzia a fórmulas e a cada passo procurava ir mais longe no enredamento
sem fim das palavras e das ideias.»


"Venho! Chego! Sou em vista de ti, e de te ver,eu vejo!
Nunca então tinha visto nada,os sóis levantavam-se para nada!
A tua vista! A tua vista! Ó nua"





publicado por jmdslb às 02:01
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6 comentários:
De Anónimo a 15 de Outubro de 2004 às 19:32
LINDO!!!Eye of the tiger
(http://www.incomensuravel.blogspot.com)
(mailto:ruimaafe@hotmail.com)


De Anónimo a 15 de Outubro de 2004 às 18:37
Tudo o que teria a escrever já foi escrito atrás. Porque chego sempre tarde ? Até já.Mentis
(http://casual.blogs.sapo.pt)
(mailto:amiljitsu@sapo.pt)


De Anónimo a 15 de Outubro de 2004 às 18:08
Estava a procura de notícias sobre a morte de Derrida, e eis que encontrei este blog. A imagem me comoveu em seu drama, suas palavras quase afogaram em lágrimas. Seu título, permita-me dizer, é uma "nomeação", quando muito uma espiritualização do nome, um volver do nome a si mesmo, como o espírito hegeliano, "último filósofo do livro, primeiro filósofo da escritura". Derrida regressa a si. Acaso já chegou? Onde? Quando? Já está de volta? "Um espectro ronda a Europa." É Derrida em seu regresso...Ah, sim!

P.S. Parabéns, pelo blog. Muito bom.Jean Pierre
</a>
(mailto:jeanpir@bopl.com.br)


De Anónimo a 15 de Outubro de 2004 às 14:45
Mais um tema muito interessante e muito bem elaborado , como não poderia deixar de ser quem o faz. Mais uma vez adorei! bjsmonica
(http://mco.blogs.sapo.pt)
(mailto:monicacarvalho1@sapo.pt)


De Anónimo a 14 de Outubro de 2004 às 23:53
Perfect words !!! Kiss kiss :).(In)perfeita
(http://inperfeicao.blogspot.com/)
(mailto:In_perfeita@hotmail.com)


De Anónimo a 14 de Outubro de 2004 às 11:26
O gelo era quebrado pelas suas palavras brandas, mas de uma densidade marcante... Adorei.polittikus
(http://polittikus.blogs.sapo.pt)
(mailto:pp@sapo.pt)


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