Quarta-feira, 8 de Setembro de 2004

SE AINDA EXISTE ...? O AMOR EM TEMPOS DIFÍCEIS I

sarahcrackfrontpg.jpg


Em geito de resposta à (in)perfeição.blogspot.com, diria que sim...
claro que existe amor... mas um amor romance positivista, estoico
maturo e imaturo:Em primeiro lugar remete-nos para uma reflexão
sobre os afectos, uma meditação acerca do papel do Eros
numa relação a dois e finalmente para sintetizar o tríptico a relação
do amor como complexidade e paradoxilidade. Face à infelicidade da
maioria das vidas emocionais em que a paixão domina a razão, o
positivismo romântico tenta in-dentificar causas sendo uma emergente
sobre-vivência do complexo de amor-próprio,do paradoxo do amor
contemplativo tipo platónico e de um amor carnal mais concreto em que
o desejo e a vontade são imperativos categóricos. Tem graça que pouco
depois de entrar em férias encontrei um livro numa livraria,uma obra
escrita por Peggy Nearly e que dava como título "Coração Ensanguentado".
Embora cheio de pressa acabei por comprar o livro, atraído por uma pergunta
postada na contra-capa:«Será que amar tem de ser sempre sinónimo de
sofrer ? Logo na primeira página fiquei a saber quem era Peggy Nearly...
licenciada pelo Oregon Institute of Love and Human Relations,vivendo
actualmente na região de S.Francisco,onde dá consultas de psicanálise,
terapia infantil, dinâmica de grupo e agorafobia.
E de que tratava o Coração Ensanguentado ? Narrava a história infeliz,
mas optimista, de homens e mulheres que se apaixonam pelo parceiro
errado, o qual os trata com crueldade, deixa emocionalmente insatisfeitos,
se entrega à bebida, ou é violento. Essas pessoas faziam uma associação
inconsciente entre amor e sofrimento e continuavam à espera que os tipos
inadequados, que tinham escolhido adorar e amar mudassem e passassem
a amá-las como deve ser. A meio do livro já tinha compreendido que o nó do
problema apontado residia numa má educação dada pelos pais na perspectiva
de uma visão deformada do processo afectivo. quando acabei de ler o livro
dei por mim a estabelecer uma comparação talvez pouco plausível entre a
cruzada dos escritos da Dr. Nearly e a heroína da grande obra de Flaubert, a
trágica Madame Bovary. Quem era Madame Bovary ? Uma jovem que vivia na
província francesa, casada com um marido adorável que ela odiava porque
associava amor a sofrimento. Em consequência, começou a ter relações adúlteras
com homens indesejáveis, cobardes que a tratavam com crueldade e não satisfaziam
os seus anseios românticos. Madame Bovary acabou por adoecer por não perder
a esperança de que um dia esses homens iriam mudar e amá-la devidamente - o
que era óbvio que para eles, ela não passava de um mero divertimento.Infelizmente
acabou por não descobrir a origem do seu comportamento masoquista. Deixou o
marido e o filho,esbanjou o dinheiro da família e por fim suicidou-se com veneno
deixando um filho pequeno e apesar de tudo um marido desesperado. Imaginamos
se Madame Bovary tivesse podido falar com a Dr. Nearly ? E se o positivismo
romântico tivesse tido a hipótese de intervir numa das mais trágicas histórias de amor
da literatura ?




publicado por jmdslb às 00:59
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6 comentários:
De Anónimo a 9 de Setembro de 2004 às 02:20
Aí grande Zé! Claro que o autor como refere a indolentia,interiorizou completamente a heroína dama.Mas apercebi-me estoicamente que se poderia reduzir tanto a dor como a irracionalidade do amor a um argumento concludente contra ele: não conseguindo conciliar a necessidade de sabedoria com as dificuldades originadas por uma conduta concordante com os seus preceitos, reduzindo a tragédia de Madame Bovary a uma exemplificação das teorias altruístas da Dra.Nearly.abração amigo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Joao
</a>
(mailto:JMDslbjoao@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Setembro de 2004 às 23:45
Se a hipótese que sugeres tivesse acontecido não terias essa formidável obra. Certo?
Mas seria interessante dissertar sobre isso, claro.
Um grande abraço amigão.LetrasAoAcaso
(http://LetrasAoAcaso.weblog.com.pt)
(mailto:LetrasAoAcaso@hotmail.com)


De Anónimo a 8 de Setembro de 2004 às 20:04
Olaa indoletia!Não acho que este romance fosse sócio-ecológico,mas sim uma tragédia que culmina com o suicídio.Só quis mostrar o lado masoquista da dama, ora veja «O Rodolphe.Não escreveu,não escreveu.Ele não me ama.Sou uma mulher arruinada.Sou uma mulher arruinada,patética,infeliz,infantil.»Como vê é o seu amor-próprio.Não percebe que só se sente atraída por homens que a fazem sofrer emocionalmente.Só quis mostrar esse seu lado lunar.Xau jinhos!!!!Joao
</a>
(mailto:JMDslbjoao@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Setembro de 2004 às 19:54
Pois seria Miguel!Msmo assim é difícil imaginar um fim feliz para a terapia da Madame Bovary,ou melhor para a sua vida.É difícil de acreditar,que a Drª Neraly iria conseguir transformar a dama numa esposa equilibrada,humilde e dedicada que faria da obra de Flaubert uma fábula optimista sobre a redenção através da introspecção freudiana.Fica bem.um Abração.Joao
</a>
(mailto:JMDslbjoao@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Setembro de 2004 às 14:58
Não concordo com a sua leitura de Madame Bovary ou, de forma mais insidiosa, sobre o seu marido. Madame Bovary fascina-se com o frenesim romântico das festas e encontros burgueses, sob a assunção de uma ruptura com os laços de dependência do trabalho em áreas rurais. Lê romances e encanta-se, em primeira mão, por um visconde de partida para Paris. Esta é uma leitura sócio-ecológica de Madame Bovary, que o escritor chegou a dizer ser ele próprio. (willnow)www.indolentia.blogs.sapo.pt
(http://www.indolentia.blogs.sapo.pt)
(mailto:willnow@sapo.pt)


De Anónimo a 8 de Setembro de 2004 às 14:38
Seria um encontro interessante...Miguel Pinto
(http://olhardomiguel.blogspot.com/)
(mailto:m.p@sapo.pt)


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